domingo, 31 de agosto de 2008

Crónicas do Atlântico V

Encontramo-nos no último de Agosto, mês mágico de puro ócio e diversão. É uma pena que só daqui a 11 meses teremos de novo todas as alegrias, risadas e tropelias que esta altura do ano, a chamada por muitos de "silly season" nos traz. Mas não é este o motivo da minha conversa. Venho apenas relatar-vos com alguma brevidade mais uma estória deveras engraçada passada aqui em terras açorianas.
Fui passar o fim-de-semana a uma freguesia longe da cidade, noutra ponta da ilha, com um grupo de amigos. Alugámos uma casinha à beira-mar, mesmo ao pé da praia. Ontem à noite, após um belo repasto de peixe grelhado num restaurante local, fizemos as mais variadas palhaçadas, regadas com alguns litros de bebidas providas de álcool. Mas como a cereja vem sempre no topo do bolo, algures pelas 5 da madrugada decidimos ir à praia para cumprir um desejo antigo: um banho nocturno, entre amigos, mas especial. Não, não houve nenhuma actividade de cariz sexual. Tratou-se sim de 4 marmanjos a tomar um banho nocturno "de calções brancos". E porquê as aspas, se aparentemente se tratam de uma peça vulgaríssima de vestuário? A explicação é simples, mas talvez um pouco chocante para os mais sensíveis: os "calções brancos" tratam-se exactamente da ausência de vestuário; pensem comigo: um tipo chega ao fim de Agosto com um bronze considerável da cintura para cima e dos joelhos para baixo (já que o resto se encontra coberto pelos calções de banho); então, a nudez passa a criar uma ilusão da presença de calções brancos! Exacto, é isso mesmo, metemo-nos todos nus na água às 5 da manhã. E como a casa era perto da praia, e não havia uma alma viva na rua, regressámos com a toalhinha ao ombro, sem qualquer tipo de preocupações e com uma liberdade e frescura difíceis de descrever. Quais nativos.
Mais uma para contar aos netos.

Beijos e abraços aos destinatários do costume.

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