sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Crónicas do Atlântico VI

Chineses. Um povo interessante, formiguinhas trabalhadoras com um sentido de negócio extraordinário. Em cada canto até desta terra perdida no meio do oceano encontramos uma lojinha com aquelas coisas vermelhas penduradas cá fora. São um povo com grande visão - pudera, com os olhos em formato 16:9 também eu!
E a razão pela qual invoco esta gente peculiar neste que será o último capítulo destas crónicas é muito simples: como talvez saberão ou lembrarão, tenho uma tatuagem na parte interior do braço direito, 2 caracteres japoneses, que são a palavra Yuki, que significa bravura e espírito do guerreiro. Ora, eis que me encontrava tranquilamente a jantar num restaurante chinês quando, entre o pedido do "clêpe" e "alôz" a empregada, nascida dentro do território do segundo monumento que consegue ser visto da Lua (o primeiro são as pernas da menina do gás) se vira para mim, felicíssima e apontando para a minha tatuagem e diz: "Menino, menino".
Pânico. Toda a minha bravura estava reduzida a um par de caracteres que, aparentemente, significam "menino". Mas não me dei por vencido; chamei de novo a senhora e disse-lhe que os caracteres eram japoneses, e não chineses, e quando puxei a manga da t-shirt para ela ver com atenção a tatuagem, mostrei um tracinho que antes estava tapado, ao que ela responde, apontando para o traço: "Ah, menino não, lapaz folte, blavula", que foi também confirmado pelo dono do restaurante. Alívio. Afinal, é mesmo o que eu pensava.
Moral da história: o traço que estava tapado com certeza representa a virilidade do guerreiro, sendo literalmente a sua espada, ou então a sua "espada". Não sei. Mas pelo menos sei que o que tenho aqui é mesmo o que pensava. Curiosa a escrita oriental, em que um simples rabisco transforma um menino num guerreiro.
E assim termino esta saga de crónicas, em que logicamente nem tudo foi contado, mas fica o mais importante deste verão que hoje termina oficialmente para mim, já que marca o dia do meu regresso a terras do continente.
Encontrar-nos-emos nos locais habituais.

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