Venho-vos hoje contar, uma história, uma situação, uma «cena marada 'man'!» que presenciei no dia de ontem, 1º domingo de maio a.k.a ''Dia da Mãe''.
Abreviando muito mais que o costume, sim porque eu tenho a plena noção que sou um bocado chato, ontem estive com um colega da minha mãe simplesmente único. Único porque é um senhor que apesar do seu elevado cargo, um homem que inspira algum respeito (e deveria transpirar também algum) insiste em falar somente utilizando calão.
Há quem se sinta ofendido e há quem se ria às lágrimas (meu caso). Não é todos os dias que conhecemos uma pessoa capaz de empregar uma panóplia tão grande de gíria e calão numa só frase, resultando numa eloquência tal que se fosse censurada com um ''Pi'', como se costuma fazer na TV, cada vez que o senhor falasse pareceria que estava a tentar comunicar em código Morse.
Acho não só fantástico como positivo utilizar o calão no dia a dia, pois o português é para ser falado na sua extensão completa.
Só para terem uma ideia daquilo a que me refiro, vou-vos contar um arrufo entre este magnífico personagem e um arrumador de carros, que se passou alguns dias antes.
Ora este senhor chega ao parque de estacionamento, e com a ''ajuda'' do arrumador, estaciona o carro.
Depois de o veículo devidamente arrumado, sai do carro, dirige-se ao arrumador, não para lhe dar uma esmola, mas sim uma lição de moral:
«PSHHT olha lá!, chega lá aqui que eu quero falar contigo pá; eu cá não te vou dar nada, e sabes porquê? Para não te dar maus hábitos ouvistes? Porque senão todos os dias que vier aqui tenho que te dar esmola e eu não estou para dar esmolas a um gajo que passa a vida a abanar o jornal e a chutar para a veia.... e mais....se eu chego aqui algum dia e vejo um risco que seja no meu ''Marcedes'' (aparentemente o senhor não sabia dizer Mercedes, era ''marcedes'' não sei porquê) venho ter contigo e levas um tiro no chispe, ouviste?»
O arrumador costumava guardar lugares no parque com caixas de fruta para quem lhe costumava dar esmola... escusado será dizer que o nosso ''herói'' não reagiu bem:
«Epá cheguei lá um dia pá, e o bacano tinha caixas a tapar os lugares... vê bem isto... saí do meu Marcedes e comecei a partir os caixotes todos ao pontapé que para o gajo aprender, que este tipo de merdas não se faz pá, não pago nem um tusto. Até digo mais, dei uma biqueirada num com tanta força que me ficou enfiado até à coxa, e ameacei mandar-lhe com um a cabeça caso ele se armasse outra vez em génio»
Simplesmente brilhante...
E assim acaba mais um texto que era para ser sucinto mas não foi, que era para ter graça mas não teve... só me resta desejar à cara amiga Rita um bom resto de viagem, já que não posso falar directamente com ela, e que estamos todos ansiosos por saber novidades do Leste Europeu.
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